Unidos pelo amor e pela profissão
1/8/2008 08:58:24
 Para a maioria dos casais, o retorno ao lar após um dia de trabalho significa o momento do reencontro com a pessoa amada. É a ocasião de colocar o assunto em dia, compartilhar problemas profissionais, namorar... Mas e quando o casal, além de morar junto, também compartilha um mesmo ambiente no trabalho? Sobre essa realidade, a reportagem da TRIBUNA selecionou depoimentos de quatro casais em Campo Mourão, que todos os dias dividem muito mais que o espaço doméstico.
Os profissionais da área de odontologia, Flávio Justo (periodontia) e Dartemis Nadal (odontopediatria), trabalham juntos na mesma clínica desde que se casaram, há 21 anos. Ambos consideram a experiência gratificante. “Já acostumei e gosto muito. Por trabalharmos na mesma área, temos sempre assuntos do trabalho para conversar quando chegamos em casa e vice versa”, afirma Dartemis. “A grande vantagem é a cumplicidade. A esposa também se torna a sócia de um negócio”, analisa Flávio.
Ambos admitem que os ambientes doméstico e profissional se confundem na relação. “A gente até tenta não misturar as coisas, mas é claro que no dia-a-dia do consultório resolvemos problemas domésticos e vice versa”, afirma Flávio. Dartemis confirma: “as nossas filhas vêm ao consultório e com todo esse tempo as secretárias adquiriram intimidade com as meninas e até ajudam elas nas tarefas escolares”.
O casal, porém, vê essa rotina como benéfica. “Talvez pela correria que a gente vive não teria tempo de conversar em casa assuntos que a gente conversa aqui. Desde que casamos é assim e hoje não sei se acostumaria sem esse contato”, completa Dartemis. O situação também é encarada com bom humor. “Quando aparece um paciente bonitão fico de olho nela e o mesmo ela faz com minhas pacientes”, brinca Flávio.
Na escola
Na Escola Municipal do Jardim Cidade Nova, o diretor Lindomar Teles de Oliveira tem na diretoria auxiliar a esposa Líria Teles de Oliveira. Antes do casamento, há seis anos, eles já trabalhavam juntos como professores na escola. “A preocupação é que meu trabalho não seja julgado em função de ter a esposa trabalhando junto. Por isso entre nós, dentro da escola, o relacionamento é estritamente profissional”, garante Lindomar.
Os dois afirmam que isso é possível. “Tem gente que trabalha aqui e só fica sabendo que gente é casado quando alguém comenta”, assegura o diretor. Líria diz que não dá tempo de resolver assuntos domésticos no trabalho. “A cobrança dele para comigo como profissional é até maior do que com os outros e isso às vezes me deixa até nervosa. Mas a gente já se acostumou”, acrescenta.
Lindomar diz que na área em que atuam o cuidado com a imagem é muito importante. “Hoje qualquer motivo que você dê já abre margem para que seu trabalho seja questionado. Quem trabalha com educação pública sabe que uma postura exemplar é fundamental”, justifica.
O diretor é mais preocupado em não levar atividades do trabalho para casa. “Normalmente é ela quem mais toca em assunto da escola em casa”, afirma. Líria ressalta que o trabalho dos dois é bem dividido. “Quem responde pela direção é ele e eu fico mais com a parte de coordenação. Quando ele viaja, aí acabo assumindo a direção”, explica. Para o casal, a presença do cônjuge 24 horas por dia aumenta a cumplicidade no relacionamento. “É uma experiência muito gratificante, que produz bons frutos”, afirmam.
Na empresa
Situação parecida vive o casal Eduardo Martins Filho e Maria Eleni Pereira Martins. Casados há 19 anos, ele é economista e ela é administradora de empresas. Ambos atuam na área financeira como funcionários de uma empresa que comercializa produtos agrícolas em Campo Mourão.
“A gente vem junto de manhã, volta na hora do almoço, à tarde novamente, praticamente o tempo todo junto. Isso tem sido muito bom para nosso relacionamento”, afirma Eleni. “Um está sempre sabendo do outro e acho que isso ajuda a consolidar o relacionamento”, acrescenta Eduardo.
O casal afirma que divide bem a profissão da família. “A partir do momento que entramos aqui cada um vai cuidar da sua função e não há nem espaço para tratar de assuntos domésticos”, garante Eleni. Fazendo jus à sua formação profissional, Eduardo cita um fator interessante para todos os casais que trabalham no mesmo horário e local: a economia. “A gente vem e volta junto no mesmo carro. Também não temos despesa com telefonemas um para o outro”, observa.
Na feira
Outro casal que compartilha as 24 horas do dia é José Carlos Pereira e Maria de Fátima Pereira. Casados há 28 anos, há 13 eles trabalham juntos comercializando salgadinhos na Feira do Produtor Rural. “Ter confiança no companheiro de serviço é sempre muito importante. E para isso nada melhor que essa pessoa seja a esposa”, justifica José Carlos, mais conhecido como “Zé do Pastel”.
Apesar das feiras serem realizadas sempre nos fins de tarde, a atividade exige tempo integral. “Temos uma funcionária em casa e o dia todo trabalhamos juntos fazendo os salgados que vamos vender na feira”, explica. No caso deles, assuntos do trabalho e domésticos se confundem. “Dá tempo para tudo. Em casa estamos falando sobre a feira e na feira é como se estivéssemos em casa, pois também contamos com a ajuda dos filhos”, justifica Zé do Pastel.
“A gente faz planos juntos, assim como também planejamos as despesas. Para a união familiar isso é interessante porque facilita até a orientação dos filhos”, argumenta Fátima, que na feira é responsável pela fritura dos salgados.
Como antes de ser feirante, o marido já foi motorista de ambulância, ela diz que hoje a situação é melhor. “Antes eles saía, ficava até dois dias fora. Existia aquela preocupação se estava tudo bem. Agora a gente acompanha tudo o que acontece um com o outro no dia-a-dia”, analisa.
Zé do Pastel concorda com a esposa. “Trabalhando fora você chega cansado no fim do dia, a esposa também está cansada do trabalho e aí um quer ver uma novela, outro um filme ou futebol e assim o diálogo se torna mais difícil”, completa. A maior possibilidade de diálogo e a cumplicidade foram os quesitos apontados como positivos pelos quatro casais.
Autor: Valdir Bonete
Fonte: Tribuna do Interior
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