Uma saída para a dúvida
4/8/2008 14:48:10
 Isis Fausto Cavalcanti de Souza se viu em uma situação embaraçosa em julho do ano passado. Com a data da inscrição do vestibular chegando, e sem se decidir se faria Medicina Veterinária, Engenharia Ambiental, Administração ou Direito, ela estava apavorada com a incerteza e o tempo curto. A saída para sanar as dúvidas foi fazer orientação profissional. “Eu não conseguia distinguir o que eu queria. O tempo estava passando, e eu ficava angustiada. Comecei a fazer orientação, e me ajudou muito. Eu fiz a escolha do curso conforme o trabalho foi me direcionando. Não me arrependo”, afirma a estudante, que está no segundo período de Direito e pretende prestar concurso público para ser delegada ou juíza.
Para a pedagoga Diva Domingues, que há 12 anos trabalha com orientação profissional e programação neurolingüística, é importante conhecer a profissão antes de fazer uma escolha. “Na orientação o estudante tem a oportunidade de descobrir as peculiaridades das profissões, que hoje somam mais de 200, e descobrir suas habilidades. O trabalho é feito de modo a trazer satisfação pessoal e retorno financeiro para o estudante”, diz.
Sem ter a menor idéia de qual curso escolher no vestibular, Hugo Paschoalin Duarte Coutinho aceitou o conselho dos pais e recorreu à orientação ainda no ano passado. Agora, aos 16 anos, ele tem certeza de que Administração de Empresas se encaixa no seu perfil. “Este ano vou fazer o vestibular como treineiro. O curso tem tudo a ver com a minha personalidade, inclusive a orientação me ajudou a direcionar minha carreira. Pretendo me especializar em Marketing e Finanças. Estou satisfeitíssimo”, diz o estudante.
Para a psicóloga Luciana Albanese Valore, que também é coordenadora de projetos de pesquisa e orientação profissional da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o perfil das pessoas que buscam orientação é bem definido. “Os alunos que nos procuram são adolescentes. Eles têm medo, muitas dúvidas. Percebemos que os jovens estão muito angustiados por não terem perspectivas. O principal medo é errar na escolha da profissão”, avalia.
De acordo com a psicóloga, a orientação profissional não escolhe o curso que o estudante deve fazer. “Quem tem de indicar a profissão é a própria pessoa. Ela precisa se conhecer. Para isso, é feita uma investigação do que gosta, dos seus valores, de como se imagina no futuro e quais são suas habilidades. Para ter segurança, o próprio aluno precisa fazer seu caminho”, diz.
A orientação feita por Diva e Luciana, antes chamada de “vocacional”, deu lugar à orientação profissional. “Evitamos usar o termo vocação, pois ele dá a idéia de dom, e entendemos que o aluno deve ter afinidade e desenvolver as habilidades de acordo com o seu interesse no curso”, explica Valore.
Raissa Roch não sabe se faz Arquitetura ou Turismo. Mesmo fazendo teste e participando de quatro encontros de orientação profissional no ano passado, a estudante ainda está confusa. “Não mudou nada para mim. Foram apontados Matemática e Comércio Exterior, cursos que não me atraem”, afirma a estudante, que gosta de urbanismo, mas não sabe se escolhe Arquitetura por achar que não desenha bem. “Eu ainda não sei com o que eu quero trabalhar. Preciso me decidir. Logo vou ter de fazer minha inscrição na Federal. O lado positivo dessa situação é que meus pais me apóiam no curso que eu escolher, me sinto aliviada por isso”, afirma Raissa.
Testes
Num passado não muito distante, quando o aluno tinha dúvidas sobre qual carreira seguir, uma opção era recorrer ao famoso teste vocacional. Hoje a realidade já não é mais a mesma. Quando a questão vem à tona, os profissionais fazem um trabalho de acompanhamento. “O teste indicava uma área de atuação. Chegou-se à conclusão de que aplicar uma única prova seria muito limitado. Hoje o processo é mais longo. A orientação é mais abrangente, pode ser em grupo ou individual e trabalha-se com dinâmicas, jogos, questionários, discussões e inclusive debates”, afirma a psicóloga Luciana Valore. De acordo com Luciana, o Conselho Federal de Psicologia tem cautela com a aplicação de testes profissionais. “O conselho está cuidando e validando apenas alguns deles”, diz.
Depoimento
Autor: Sandra Volf
Fonte: Gazeta do Povo
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