O resultado do Enade, divulgado no dia 6 de agosto pelo Ministério da Educação, confirma os resultados das três edições anuais do Exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que avalia os alunos do sexto ano e recém-formados de escolas médicas paulistas. Tanto o Enade como o Exame do Cremesp demonstraram que uma parte significativa de alunos está saindo despreparada das Faculdades de Medicina. Segundo o MEC, 27 cursos de Medicina – que formam cerca de 2.600 alunos por ano – “não têm condições de funcionar”.
No caso do Exame do Cremesp, cujo conteúdo é mais científico do que a prova do Enade, o índice de reprovação na última edição, realizada no ano passado, foi de 56%. A quarta edição do Exame será realizada nas próximas semanas, com mais de 1.000 alunos do sexto ano ou recém-formados em Medicina inscritos. A primeira fase será realizada em 24 de agosto e a segunda (prova prática), em 28 de setembro próximos. Pela primeira vez, alunos de faculdades de outros Estados poderão fazer o Exame.
A avaliação promovida pelo Conselho não é obrigatória, mas sim opcional. O estudante aprovado no Exame recebe um certificado, que pode ser útil no seu currículo pessoal e na colocação no mercado de trabalho.
O índice de reprovação cresceu cerca de 25%, de 2005 para 2007. De 2006 para 2007, a reprovação aumentou em 18%. Segundo o coordenador do Exame do Cremesp, o conselheiro Bráulio Luna Filho, “considerando que o Exame é opcional e que, em tese, são os melhores alunos que se habilitam a fazê-lo, os resultados, já muito preocupantes, podem não estar refletindo uma realidade ainda pior, uma vez que os alunos em piores condições não estariam sendo avaliados”.