Economista doméstico deve amar a questão familiar
14/8/2008 10:10:05
 Fortalecer a família, melhorar a alimentação na comunidade rural e ainda gerar renda para as comunidades é o que motiva diariamente Rubstain Ramos de Andrade, 38 anos, a trabalhar. Gerente de uma unidade da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) no Distrito Federal, ela já acumula 15 anos de experiência em busca do desenvolvimento sustentável.
Para ela, “amar as pessoas, amar a questão familiar” é o diferencial da carreira. Confira um pouco da experiência de Rubstain, também conhecida por Rubia, no dia-a-dia do trabalho.
G1 - Por que você escolheu o curso?
Rubstain - Comecei no ano de 1986 com o curso técnico. A escolha da profissão foi porque ela tem uma característica social, de atender as pessoas e de se preocupar com a qualidade de vida. Depois veio o nível superior e a pós-graduação.
G1 - Qual o seu trabalho na Emater?
Rubstain - Atuo na equipe da diretoria da empresa, de uma unidade local no Distrito Federal. Sob minha responsabilidade está toda a estrutura da unidade. Gerencio 12 profissionais, como veterinários, agrônomos e outros.
G1 - Você trabalhou em outros locais antes de entrar na empresa?
Rubstain - Antes trabalhei na área hoteleira com eventos. A profissão permite também essa atividade. E também trabalhei em uma rede hospitalar com orientação do cardápio, mas nessa época exercia a função técnica, pois não tinha concluído a faculdade.
G1 - Em 15 anos de atuação na Emater mudou muito sua função?
Rubstain - Na verdade, o que acontece com o profissional é que ele vai ampliando sua atuação em virtude do conhecimento. No começo, trabalhava com capacitação. Hoje trabalho com a realização de projetos.
G1 - O que muda entre um recém-formado e um profissional experiente?
Rubstain - Com a empolgação, o estudante quer fazer muita coisa e atingir muitas áreas. Com o tempo, a gente vê que é necessário ter foco, porque quando se tenta fazer muita coisa ao mesmo tempo, pode deixar tudo solto. Daí, não é possível aferir resultados.
G1 - Com qual tipo de projeto a empresa trabalha?
Rubstain - Temos trabalhos com sementes do cerrado. As mulheres da região trabalham com o plantio na área de reflorestamento, com o plantio de mudas, a coleta de sementes e frutos. Com o resultado é possível conseguir novos produtos para a alimentação e de artesanato, para a geração de renda.
G1 - Como é o trabalho?
Rubstain - Nós entramos com um antropólogo que vai fazer a análise de conhecimento do território. Ouvimos a família. Se, por exemplo, os moradores relatam muito problema de verminose, observamos a higiene da casa e dos arredores. Daí trabalhamos a alimentação e o saneamento. Quando chega a uma área o profissional sempre vai com a intenção de contribuir e promover a educação.
G1 - Com quais áreas um economista doméstico pode trabalhar?
Rubstain - A profissão é divida em áreas. Então é possível trabalhar com a alimentação para a comunidade sadia, com a saúde, com o saneamento, geração de renda – com artesanato e processamento de alimentos. O profissional vê o indivíduo no contexto da família e do desenvolvimento familiar.
G1 - Como está o mercado de trabalho?
Rubstain - O mercado profissional está limitado para todas as áreas. E há um agravante, porque a profissão é discriminada. Há pessoas que confundem o economista doméstico com empregada doméstica. Estamos buscando a estabilidade profissional. Agora é que a busca pela valorização da família começou a ocorrer.
G1 - O salário é baixo por causa disso?
Rubstain - Às vezes, o próprio profissional se discrimina. Então, o salário é puxado para baixo e começa a se desvalorizar. Se uma empresa pagaria R$ 3 mil a um nutricionista, quer pagar R$ 1.500 a um economista doméstico.
G1 - Qual o perfil necessário para trabalhar na área?
Rubstain - É o de alguém que goste de trabalhar com pessoas. Tem gente que vai para a profissão porque o vestibular é mais fácil. Mas não adianta se não tiver o dom. É necessário acreditar no desenvolvimento sustentável para a qualidade de vida. Acreditar e promover a estruturação das pessoas.
G1 - Qual a diferença entre o economista e o economista doméstico?
Rubstain - O economista gera números e trabalha com a economia exata. O economista doméstico trabalha com a economia de pessoas. E gerir pessoas é muito diferente da economia empresarial. Na família, a mãe tem de levar em conta opinião do filho adolescente. Nós orientamos a alimentação, a saúde e o saneamento para que a família não gaste com remédios. Por isso, na profissão, é necessário amar as pessoas, amar a questão familiar.
Autor: Simone Harnik
Fonte: Do G1, em São Paulo
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