Atualmente o machismo contra mulheres na direção de automóveis não cabe mais. Já passou a época em que se dizia "mulher no volante, perigo constante". Só no município do Rio são 414 mulheres dirigindo ônibus. Há um ano eram 180 contratadas. E muitas não foram parar na profissão por acaso, tinham o sonho de estar à frente dos veículos coletivos e tiveram que se empenhar para conseguir se inserir na profissão.
Há quatro anos dirigindo ônibus, Adriana Alves conta que sempre quis trabalhar como motorista. A primeira experiência foi com um caminhão pipa, que era do seu ex-marido. Depois que ela passou a fazer transporte para turistas com uma van, decidiu que queria se especializar na profissão. E então foi trabalhar em uma multinacional no horário da noite para ganhar o suficiente para tirar habilitação na categoria D.
- Algumas pessoas na minha família trabalhavam como motoristas de ônibus e sempre foi uma profissão que me encantou. Então resolvi trabalhar na fábrica, no horário que dá direito ao adicional noturno, para conseguir juntar dinheiro para tirar carteira de transporte coletivo de passageiros - lembra Adriana, que faz o trajeto Centro a Cascadura. - Agora estou completamente realizada, não penso em fazer outra coisa.
Na empresa Santa Maria, a gerente Adriane Machado revela que apesar do número de homens na profissão ser muito maior, não há distinção: - Basta ter habilitação na categoria D e fazer treinamento de no mínimo um mês, esses são os nossos requisitos. Mas quanto ao sexo não temos preferência alguma, é indiferente para a empresa.
Falta de educação no trânsito
Adriana conta que no início ficou com medo do preconceito e de não ser bem recebida pelos colegas, mas se surpreendeu com a receptividade. Na época que entrou para a empresa de transportes, já havia mulheres trabalhando na profissão – Atualmente são quatro no total. Já com os insultos no trânsito, Adriana teve que se acostumar e diz que não a afetam mais.
- O povo é mal educado, mas não ligo - desabafa a motorista, que completa: - As mulheres são diferentes mesmo na direção, somos mais cuidadosas, delicadas e pacientes.
Os passageiros concordam. Há um mês, Adriana teve que se ausentar do trabalho para fazer uma cirurgia. E nesse período, as reclamações dos passageiros freqüentes foram muitas.
- As pessoas acabam se acostumando, ainda mais aquelas que fazem o trajeto no mesmo horário, todos os dias - afirma Adriana. - A minha trocadora contou que quando eles entravam no carro perguntavam por mim e reclamavam da direção do outro motorista.